20 de janeiro de 2011


Não sei se as pessoas choram de forma diferente umas das outras, eu choro contraída, como se alguém estivesse perfurando minha alma com uma lâmina enferrujada, choro como quem implora, pare, não posso mais suportar, mas o insuportável é uma medida que nunca tem limite, eu chorei no domingo, na segunda, na terça, em várias partes do dia e da noite, um choro de quem pede clemência, de quem está sendo confrontado com a morte, eu estava abandonando uma vida que não teria mais, eu sofria minha própria despedida, morte e parto, eu tinha que renascer e não queria, não quero, sinto que caí num vácuo, perdi a parte boa da minha história, e não quero outra, enquanto choro penso que se alguém me visse chorar dessa maneira me salvaria, prestaria socorro, chamaria uma ambulância, eu nunca vi você chorar, você alguma vez chorou por mim, você sofre a minha ausência, sente minha falta?

[Martha Medeiros]
meu momento*

Um comentário:

Rart og Grotesk disse...

esse texto me fez lembrar algo que aconteceu comigo esses dias...
as vezes faz bem chorar, parece que "lava" a alma e nos acalma.
vou te seguir
se quiser, acesse meu blog http://artegrotesca.blogspot.com

Postar um comentário

Obrigada pelo seu comentário!